14.8.09

Cap 70: Olhos bem fechados (Kali)

Do lado de fora da escola de dança, a irmã de Rebeca e seus pais nos esperavam cada um com um grande sorriso. Pareciam nos apreciar, peguei a mão dela para parecermos um casal.

_Vocês podiam viver aqui... _ Michele acariciou a barriga, enquanto falava. _ Vou poder dobrar o número de alunas... _ sorriu. _ E o Kali pode ir aos encontros de motoqueiros com o papai.

_Eu ia adorar. _ ri e olhei para Rebeca sorrindo sem olhar fixamente para algum ponto. Deveria estar imaginando a cena. Não parecia gostar ou reprovar, acho que o fato de estar sendo inclusa nos planos da família era o mais surpreendente e importante para ela. _ Onde vamos agora?

_Beber alguma coisa ora! _ Michele falou alto. Definitivamente, não é o que se espera de uma grávida esse tipo de convite.

Perguntei quem iria com a gente no carro e todos riram. Rebeca me explicou que não precisávamos de carro e apontou o bar do outro lado da rua. Ela entendia como para nós enfrentar trânsito para atravessar algumas quadras era parte da rotina, nada parecia perto. Ali, é como uma extensão da casa, se saia da farmácia e estava dentro do mercado ou padaria.

A música estava baixa e tranqüila. A família de Rebeca começou a conversar animadamente com um grupo de conhecidos que encontraram sentado no canto oposto do bar. Sentei em um banco junto à janela que me deixava com os pés fora do chão. Coloquei ao meu lado o pequeno copo de madeira com vinho. Respirei fundo e me senti bem. Estava longe do meu país, da garota que achava ter começado a gostar, da minha família, mas me sentia centrado. Às vezes, é preciso ir para longe e encontrar o seu lugar. Aliás, para mim esse lugar é o próprio movimento. Sou uma pessoa sempre em busca. Lembrei de Tamires, na verdade, refleti sobre o fato de pensar menos nela do que imaginava. Ligara algumas vezes pra ela, mas não tinha vontade de correr para o Brasil por sua causa. Eu queria muito ficar e curtir minha vida aqui.

Rebeca deixou a roda da sua família e caminhou em minha direção. Ficava tão jovial vestida com o collan justo e a saia preta curta. O agasalho de time de futebol lhe dava o ar de estudante secundarista. O cabelo solto, fora do coque estava desalinhado.

_É melhor tirar essa roupa de líder de torcida ou eu posso te confundir... _ falei em tom brincalhão e ela riu, abaixando a cabeça e levantando em seguida com um lindo sorriso rosado. Toda a luz da janela iluminava seu rosto. Perguntou-me o que aconteceria se eu a confundisse? _ Você que tem que me dizer... _ entrei no jogo das palavras certo de que não levaria a nada, era só mais uma brincadeira intelectual para exercitar seu cérebro.

_Como vou saber? _ Rebeca começou a fazer uma trança com metade do seu cabelo voltado para a frente.

_Definitivamente não combina com você! _ meus dedos se enroscaram nos seus, ela deixou-os escorregar e eu fiquei com eles entre os cruzamentos dos seus lisos e grossos fios sedosos. Desfiz o primeiro trançado com um leve deslizar do indicador, depois o próximo. Poderia ficar todo o tempo desfazendo seu penteado, mas logo acabou e só me restou o cabelo cascateando em minha mão. Tentei desvencilhar a mão passando por cima do ombro, mas virei a curva errada, querendo me perder no caminho e encontrei sua nuca, afaguei.

Sua família não prestava atenção em nós, então, porque ela não corria ou zombava de minha ousadia? Seus olhos estavam mais uma vez fixos na linha da minha boca. Rebeca deu só um passo à frente, mas pareceu um movimento de levitar sobre o chão, tão delicado e sereno como o de uma verdadeira bailarina.

O que eu via era uma linda garota jovem, sexy, de boca hipnotizante... Mas, era minha chefe, aquela tão temida que ficara dentro de alguma mala que provavelmente esquecemos no carro!

_Kali, Kali, tsi tsi, atrasado mais uma vez? _ sussurrou colocando magia e encanto no tom de voz quase cântico. Usava a mesma repreensão que me fazia com desdém quando eu ficava preso no trânsito. Agora, tinha um significado de leve impaciência.

_Você é a chefe. _ sussurrei. Não iria tomar atitudes e depois ser despedido de seus planos. Um dia, alguém iria se lembrar quem começou. _ Você é quem decide as coisas.

_Eu estou com cara de chefe agora? _ perguntou bem baixinho. Pareceu não gostar, como se eu tivesse a chamado de feia. Talvez não quisesse se lembrar de sua posição e sentir por um momento só uma estudante.

_Não. Mas, ainda tenho medo da morte. _ ri.

Rebeca cansou, agora definitivamente desapontada, e começou o movimento de virar-se quando a segurei com os dois braços e a trouxe para mim, suas mãos pararam sobre minhas pernas. Inclinei a cabeça para o lado e afastei seu cabelo com as duas mãos para beijá-la. Mas, a voz de Michele nos chamando me fez engolir em seco bem antes de minha boca tocar a sua. Piscamos duas vezes e ela recuou, procurando pela irmã.

Desci zonzo do banco. Mulheres, vinhos e chefes na mesma linha do coração são drogas pesadas para o dia. Eu tinha que largar essa vida. O pai de Rebeca ofereceu a moto para voltarmos juntos apreciando a paisagem. Ela não recusou. Acho que a idéia de ficar no carro comigo em silêncio era mais assustador que andar de moto. Precisava diminuir o impacto do que acabara de acontecer dando um bom intervalo de tempo. Subimos na moto e arranquei. A casa ficava bem perto e Rebeca não sofreria muito. Assim que chegou, ela seguiu para o quarto sem nem me olhar. Agradeci a seu pai por deixar da uma volta e devolvi as chaves.

Encontrei Rebeca de costas, tirando o brinco em frente a uma cômoda do quarto. Ela virou-se de repente e ameaçou começar o discurso que estava ensaiando. Mas, aquilo não era uma conferência com diretores. Eu não queria planejamentos, nem palavras. Joguei a jaqueta que acabava de tirar, na cama. Seus olhos conferiram a porta que eu já me encarregara de fechar ao entrar. Não estava representando para sua família, nem ali era seu funcionário. Isso a deixou ansiosa, mas tentou não transparecer, virou-se e voltou a tirar o outro brinco da orelha. Puxei-a pela cintura e, como em um passo de dança, ela girou perfeitamente o corpo pelo meu braço até parar em meu peito. A pérola do brinco voara pelo espaço e a tarraxa acho que nunca mais encontraremos. Dei um passo a frente e Rebeca ficou encostada à cômoda. Nossas pernas estavam uma entre a outra como em um passo sensual de tango. Passei a mão pela meia calça preta fina e sedosa que cobria sua coxa e ela fixou os olhos negros nos meus, sem vacilar. Então, queria mesmo a mim.

_Vamos ter que filmar, se quer que eles vejam. _ murmurei e inclinei todo o meu rosto, roçando o nariz no seu.

_Ninguém vai ver porque vamos estar de olhos bem fechados... _ o frágil braço sobre meus ombros fechou-se em um laço por meu pescoço e ela se pendurou, agora na ponta dos pés. Suspendi-a levemente quando meus lábios encontraram com força e desejo os seus, tomando-a inteiramente para mim. Ela riu e me dei conta de que a estava girando no ar enquanto a beijava com vontade. Respirou fundo, acariciei seus braços para que ficassem na mesma posição estendidos e não retirasse as mãos em volta do meu pescoço. Levemente dançávamos uma melodia que só existia em nossas cabeças. Era a música da felicidade que nos faz oscilar como pêndulos para um lado e outro. Eu não queria que o encanto acabasse, puxei-a novamente pela cintura e a beijei mais, querendo sentir novamente sua boca quente e receptiva. Nosso abraço se encaixou perfeitamente e a envolvi com carinho. Entendi ali que eu também quis muito antes esse beijo, mas nem me permiti pensar nisso com a hierarquia nos separando. Puxei dos seus braços o agasalho e com um rápido movimento o atirei na cama. Acariciei sua pele sedosa e a senti firme em minhas mãos. Eu queria Rebeca sem hora de saída, sem crachás, sem salas nos separando. Afastei o cabelo e continuei o beijo como se fosse só o começo da melhor parte. Suas mãos frias tocaram minha cintura por baixo da camisa e entendi que precisava de um pouco de minha pele também para ter o prazer tátil. Porém, isso foi como passar a marcha e eu comecei a lhe tirar todo o ar e, por mais que escalasse o meu pescoço, ela parecia não acompanhar e se sufocou. Afastou um pouco a cabeça e vi o contorno rosado em sua boca, era muito frágil a qualquer toque mais intenso. Não queríamos parar, era uma súbita reação de calefação em que nossos corpos evaporavam. Minha temperatura subira rapidamente. Já estava pronta para mais uma vez receber meus lábios afoitos, fechou os punhos nas minhas costas, levemente suspendendo com isso a camisa. Agora, eu estava em quinta com todos os radares piscando atrás de mim.

_Reb... _ Michele entrou no quarto, mas fechou a porta novamente.

_Tudo bem, pode entrar. _ ela afastou-se de mim e engoliu em seco, olhando para a irmã com a cabeça na porta.

_Só queria pegar uma jaqueta que está nesse guarda-roupa.

_Claro. _ Rebeca passou a mão na nuca e olhou para o chão todo o tempo até que sua irmã saiu e fechou a porta.

Caminhei até ela e tirei o cabelo do seu ombro e antes de beijar-lhe a bochecha disse para não se preocupar e isso lhe abria margem para qualquer interpretação que quisesse dar. Deixei-a sozinha. Sua cabeça devia estar muito pior que a minha.

5 comentários:

Aninha Barreto disse...

are baba, arebaguandi e todos os ares mais que alguém conhecer... que capitulo foi esse ???? nossa... simplesmente arrebatador!!! e eu sozinha com gripe dentro de casa... aiai... perfeito o capitulo!!! deixa eu sarar que eu quero viver uma cena dessas ao vivo e a cores!!! hauauhauhauha!!!!

sarah disse...

hauhauhauhua are baba msm aninha!!nossa que cena boa essa heim!!
agora parando p/ pensar!
o Kali é um safado e a tamires uma burrinha!
ahahuha
bjux li nao nos deixe

sarah disse...

hauhauhauhua are baba msm aninha!!nossa que cena boa essa heim!!
agora parando p/ pensar!
o Kali é um safado e a tamires uma burrinha!
ahahuha
bjux li nao nos deixe

sarah disse...

hauhauhauhua are baba msm aninha!!nossa que cena boa essa heim!!
agora parando p/ pensar!
o Kali é um safado e a tamires uma burrinha!
ahahuha
bjux li nao nos deixe

Perguntas e Respostas disse...

Ta quente aqui eim!

kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Até o próximo capítulo!


Beijuuss

Juliana S.