21.2.09

Cap 29. Não disperdiçar nenhum dia (Priscila)

A porta abriu e Tamires entrou com uma pilha de pastas repletas de arquivos. Ela tropeçou na ponta do tapete e caiu.

_Meu Deus, se machucou? _ levantei e corri para ajudá-la.

_Que nada! _ levantou-se. _ Eu bem achei que não estavam tão arrumados... _ falou para si mesma, vendo alguns fichários abertos e as folhas espalhadas pelo chão. _ Eu preciso colocar óculos! _ não se envergonhou com o tombo.

Fechei a porta e chamei a atenção de Luis, que a todo tempo estava no computador.

_Não estava aqui de manhã quando a Tamires chegou. Luis, Tamires. Tamires, Luis.

Ela levantou-se e apertou sua mão. Luis a cumprimentou e perguntou se estava tudo bem.

_Óh, não se preocupe. Se vir amanhã todas suas coisas grudadas por aí com Super Bonder, não se assuste, é um plano de contingência para as minhas trapalhadas.

Luis riu. Tamires tinha esse brilho especial de iluminar o lugar a sua volta. Quando me telefonara, eu tive a lembrança sensorial de conviver com sua alegria intensa. Queria-a perto para ter novamente alguém que me fizesse rir de tudo, até das próprias trapalhadas. Se as pessoas soubessem que o diferencial está na energia que emanam...

_Tudo bem, com tanto que deixe o computador livre porque levo ele para todo lugar. _ Luis brincou também.

_Claro, “deixar seu computador livre.” _ ela fingiu anotar na agenda.

Luis pegou seu paletó e se preparou para sair. Ele passou por nós e eu o acompanhei com os olhos. Quando a porta se fechou, me voltei para Tamires, que me observava.

_Que foi? _ perguntei.

_Nada. _ sorriu para disfarçar o pensamento.

_Pode falar, fala.

_Eu vi... _ apontou para mim com os olhos semi-cerrados. _... esses seus olhinhos de jabuticaba madura no pé focando bem ali, no meio, no centro... _ ela gesticulou como se estivesse apertando duas bolas de handebol.

_Que isso!!! _ me fiz de rogada.

_Ah! Sim, sim, que isso? _ balançou a cabeça para os lados, fazendo seu cabelo castanho desfiado esvoaçarem. _ A contento, a senhora focou a atenção na retaguarda. E agora, ad nutum, vem apelar para o disfarce? _ ironizou. _ Me poupe.

Eu ri e balancei a cabeça para os lados, sem negar. Tamires e eu tínhamos um relacionamento ótimo, desde o primeiro dia de trabalho no antigo escritório, fizemos uma grande amizade cooperativa, na qual tínhamos os limites de hierarquia, mas não deixávamos de dizer o que pensávamos. Isso contrariava o protocolo normal, mas nos rendia muito mais benefícios.

Uma pessoa bateu na porta quando eu já sentava. Ela atendeu. Era Kelly.

_Oi, você é aquela garota do processo seletivo? _ perguntou para Tamires.

_Eu mesma. E você é a garota que passou para o departamento de relacionamento com investidores? _ bateu palmas. _ Parabéns! Soube que está super bem lá. Já ouvi elogios seus por aí.

_Jura? _ ela sorriu e mandou um tchauzinho para mim.

_Bonito. Fez luzes? _ perguntou para Tamires. Será que ela se esquecia que estávamos em um escritório e que havia vida além do salão de cabeleireiro?

_Não, é de nascença. Minha mãe quando foi me batizar jogou um vidrinho de oxigenada 40 na pia. _ Tamires fez uma pausa e depois riu. _ Fiz sim, está muito aberto ainda, com os dias fecha a cor.

_Tenho que confessar que o meu também é.

_Está lindíssimo.

Kelly saiu se sentindo a Paris Hilton carioca e Tamires parou com a mão escorada na porta.

_Deus, eu já estava me vendo falando da capa da Caras?! Essa Lady Kate trabalha mesmo aqui? _ franziu a testa e impulsionou o busto para frente, chocada.

_ “O pai dela tá paganuuu”. _ usei o bordão da personagem Lady Kate, aproveitando a referência de Tamires.

_Bem lembrado. _ Tamires sentou-se.

Era incrível sua capacidade de conquistar a todos. Ela conseguia falar a língua de cada um como ninguém. Era uma menina brilhante. Cabelos castanhos com fios dourados, sorriso grande, olhos mel e corpo esguio. Por ser mais alta que eu, devia ter cerca de 1,80. A pele levemente bronzeada lhe dava um toque de pecado e quebrava a angelicalidade.

Na hora do almoço, perguntei se gostaria de comer comigo em um restaurante natural na rua ao lado do escritório. Ainda não tinha muito companhia e era ótimo tê-la ali. Desde que Andy e eu brigamos, eu me sentia carente de amigas. Não ficava neurótica com essa coisa de perder a moral.

Pedimos nosso prato e aproveitamos o vento da varanda do restaurante para nos refrescarmos com um suco.

_Priscila, eu preciso te dizer uma coisa. _ ela pareceu mais séria do que o comum. _ O meu irmão me contou que você e a sua amiga brigaram. Ele é paciente dela e agora um pouco mais que isso...

Abaixei os olhos. Aquele assunto era uma ferida em cicatrização.

_A Andy contou tudo? _ perguntei.

_Sim. Tudo. Inclusive, soube que você está esperando um baby. _ sorriu.

_É. _ olhei para baixo.

_E você entrou para o clube que vai me pendurar no poste no dia de malhar o Judas?

_Se fosse, estaria aqui? _ não gostou da minha ironia. _ Acha que eu estou aqui apenas pelo trabalho? Também, claro. _ voltou ao seu lado brincalhão. _ Eu fiz um teste do sofá super pauleira, literalmente, para conseguir essa vaga. E diga-se de passagem que foi pário duro com aquela loira. Mas, eu fiquei com o papel no próximo filme das Brasileirinhas... Agora sério, me conta, que merda, hen?

Eu ri da sua espontaneidade.

_Exatamente, que merda. Um passarinho deve ter feito caca na minha cabeça.

_Nesse caso, é sorte. _ consertou.

_Então, era de urubu. _ tentei achar o humor no meu drama.

Nossas saladas chegaram. O garçom nos serviu e eu comecei a comer meu prato colorido de legumes e verduras.

_O mundo parece que parou de girar. _ falei.

_Imagino, quero dizer, não faço idéia, mas tento imaginar...O que foi pior? _ perguntou e, antes de me dar tempo para responder, se criticou. _ Desculpe se isso está parecendo “No sofá com a Oprah”, mas é que perder o cara que se gosta e amiga de uma só vez deve ser barra. _ opinou.

_O pior foi descobrir que perdi uma amiga-irmã por um cara que não era tudo isso. E agora, quando eu tento me livrar de todas as lembranças, começar tudo do zero, apagar qualquer resquício daqueles tempos, cresce dentro de mim o fruto do meu erro. Só pode ser um castigo. Deve estar me achando um monstro. Não me interprete mal... _suspirei.

_Você pode tê-lo considerado passageiro, mas, para Marcelo, pode ter sido algo muito mais forte.

Ela pronunciou o nome Marcelo com tanta propriedade, como se tivesse ouvido confissões dele no dia anterior, que cheguei a estranhar:

_Como pode pensar isso? _ perguntei.

_Eu sei que não vai acreditar, nem estou aqui para obrigá-la... Mas, ele não está em paz com o modo como tudo acabou.

_Ele quem? Como assim?

_Ele falou comigo.

_Tá bom, Marcelo falou com você? _ balancei a cabeça para os lados. _ Não quero ouvir, tudo bem? Não vai começar com suas loucuras! Eu tenho medo, tudo bem? Não quero ver água pelo chão da lavanderia do apartamento e achar que a garota do chamado vai sair da televisão.

_Eu disse que não precisava entender, deixa. _ ela continuou comendo.

Ficamos em silêncio por uns três minutos. Pedi mais suco e Tamires também.

_Você deve estar sentindo um peso muito grande pelo que fez. Isso mostra que está arrependida e não precisou de tempo, nem de mais sofrimento para chegar nesse grau de consciência. Agora, não adianta tentar se punir, se chibatar. Vai precisar se perdoar. Não são as pessoas que estão te condenando, é você. É importante que lide com o fato de que sofremos perdas e a vida continua. Só que ainda está viva para mudar o seu futuro. Acha que essa criança foi um castigo? Não, ela está aí porque será o caminho pelo qual você vai mudar...

As palavras doces, suaves e calmas de Tamires me fizeram esquecer a comida. Ela conseguira me hipnotizar e convencer.

_ ... Nós podemos alterar o curso da nossa história. Ela não é feita pronta para nós encenarmos. Mas, quando um ator sai de cena, outro entra para nos ajudar a criá-la diferente. Até que a gente morra, vários atores passam por nós. O bebê que espera vai fazer você lembrar do quanto tem que se esforçar para dar a ele uma mãe feliz, bonita, bem sucedida e que se ama.

_ ... E quando eu olhar para ele... ? _ meus olhos se encheram de lágrimas.

_ ... Você vai olhar e cuidar com muito carinho porque ele é filho de uma pessoa que te amou.

_Amou? _ franzi a testa.

_Você disse que não queria ouvir falar dele... Mas, Marcelo me visitou em um sonho e ele pediu para eu te dizer que está muito feliz que seu filho esteja com você e não com a Andy.

_Pára! Está querendo melhorar as coisas...

_E ele disse que quer te ver feliz.

Enxuguei os olhos e bebi de uma vez o restante do copo de suco. Eu tinha medo de acreditar. Mas, já conhecia Tamires e sabia dos seus poderes de premunição.

_ Parecia que ele sabia que eu iria engravidar. Ele deixou tudo para mim. _ abri meu coração.

_Sim, eu sei. Meu irmão me contou sobre a parte da herança.

_Não foi justo.

_Entendo. Mas, você foi a pessoa que ele mais amou. Do jeito dele... Marcelo não soube lidar bem com seus próprios desafios... Vai precisar de tempo para ficar em paz. E você deve ajudá-lo, cuidando bem do seu filho. Foi por isso que sua herança está nas suas mãos.

_Como? Como ele sabia?! Ele premeditou?

_Nem tudo dá para entender, Andy. Ela é sua. Aproveite.

_Me sinto roubando isso da minha amiga. O advogado me ligou e disse que ela já saiu do apartamento. Deixou tudo, cada cadeira, cada xícara, tudo para mim.

_Lembra-se do que disse sobre ter uma nova chance para consertar? O dinheiro está em suas mãos, faça o bem a outras pessoas, já que não pode fazer para ela. E cuide-se, se ame, porque seu erro não é maior que a sua capacidade de se tornar boa para os demais.

Sorri e balancei a cabeça para os lados.

_Eu quero muito isso. Eu quero. _ disse-lhe.

_Então, não afaste as pessoas de você para se autoflagelar.

_Que pessoas? A Andy é que não quer mais me ver pintada. _ lembrei-a.

_Não falo dela. Andy irá superar sozinha. Falo do Luis.

_Luis?! _ franzi a testa.

_Eu vi o brilhinho no olho na hora que ele passou por você.

_Está vendo demais, mal chegou e está fantasiando. Isso aqui não é conto de fadas.

_Se acha que ele é o cara certo dessa vez, não fica brincando com as chances. A vida é breve, bem breve.

Tamires acabou seu horário de estágio e se preparou para ir à faculdade. Nos encontramos no corredor. Ela abraçada aos livros, disse-me que Luis estava bastante irritado na sala por ter falhado em uma defesa. Eu falei que era para não bancar a cupido. Mas, ela sorriu e explicou que tinha chegado em boa hora. Tinha que concordar, era um anjo. Pediu que eu explicasse a Luiz que havia coisas maiores que um caso perdido.

Fiz o que ela dissera e encontrei-o batendo as gavetas. Continuei parada à porta, vendo-o bufar, com os punhos fechados sobre a mesa, em posição de ataque, em pé. Fechei a porta de chave, sem que ele percebesse.

_ É como os médicos, nem sempre se pode salvar as vidas. _ falei-lhe.

_ É porque não é com você. _ falou agressivo.

 Eagle Eye Cherry - Falling in Love Again


_ Já tinha me esquecido da sua cara de raiva. _ caminhei até ele e vi que o seu músculo da bochecha se movimentava com a pressão do maxilar cerrado. Fiquei em sua frente. _ O que adianta? _ cruzei os braços e olhei através da janela. _ Amanhã, o telefone vai tocar de novo e alguém lá embaixo vai nos ligar em apuros, pedindo que a gente interceda por eles. _ minha voz mansa e amigável fez com que sua respiração se tornasse menos rápida. _ Mas, não há ninguém para interceder por nós, a não ser nós mesmos...

Levantei a mão e toquei em seu rosto. Luis tinha esperado sua chance quando éramos estudantes. Lutou para roubar minha atenção quando estava com Marcelo, esteve ao meu lado quando fui expulsa de casa. Não devia mais desperdiçar as chances de aceitar seus sentimentos quando eu também compartilhava do mesmo amor.

Seus olhos se fixaram nos meus e a sua mão esquerda segurou a minha. Eu podia ler seu semblante transformado. Ele não pensava mais no julgamento. Estava concentrado nos meus lábios. Dei o último passo que nos separava. Ele inclinou-se e me beijou com vontade. Seu cheiro forte de perfume seco, a gola dura da camisa, o pinicar dos fios curtos dos cabelos, a contrição dos lábios úmidos, quentes e carnudos. Havia vida, muita vida a se provar. Abracei-o e senti seus beijos no meu pescoço. Paramos com as bochechas coladas e as bocas vermelhas.

_Eu senti sua falta. _ falei.

_Eu sempre soube que um dia você ia gostar de mim.

_Agora, não quero ficar mais longe. _ abri meu coração.

_Então, não vamos mais desperdiçar nenhum dia. _ sorri e estava realmente feliz.

_Todos com você são ganhos. _ beijou-me mais forte e intenso. _ Meu irmão chegou de viagem. Lembra que lhe falei dele? Estamos fazendo uma festa de boas vindas. Não quer ir?

20.2.09

Cap 28. O que já é seu. (Priscila)

Por ironia do destino, não importava para quão longe eu quisesse ficar de Luis, no dia seguinte teria que compartilhar a mesma sala de trabalho com ele. Abri a porta que ficava de frente para sua mesa e ele levantou os olhos do computador e me olhou diretamente. O que se diz essas horas? Um “oi” comum e cordial?, pensei com sarcasmo e coloquei minha bolsa em minha mesa.

Luis ainda me olhava, senti que alguém me observava enquanto tirava minha agenda e telefone da pasta. Abri meu laptop e tentei me concentrar nas pendências que já havia no meu Outlook. Comecei a tomar nota de tudo fazendo uma lista de tarefas que não podia esquecer. Ele não disse nada e agradeci por isso. Eu ia fazer de tudo para tentar encará-lo como só, e apenas, um colega de trabalho, apesar de seus olhos incandescentes, sua boca deliciosa, sua mão incrível, sim, sim, apesar de ele ser ELE. Essa repulsão do pensamento acabou me provocando um sorriso. Olhei-o rapidamente para me certificar que não tinha captado isso. Não, não tinha, estava lendo uns papéis.

Nesse primeiro momento em que nos reencontrávamos, depois de sair de sua casa, quando tudo parecia pacífico, entra sem bater a querida filha do chefe, Kelly Victória. A fofurinha com um poodle branco nos braços, se reclinou sobre a mesa de Luis. Deixaram que subisse no prédio com um cachorro?! Como? Se bem que filha de quem era poderia aparecer puxando seu próprio filhote de elefante branco com um laço rosa na cabeça. O bichinho pulou de seus braços e saltitou na mesa de Luis, que se afastou.

_Não! Meus processos, Kelly! _ ele brigou, levando as mãos à testa.

_Calma, ela é limpinha e cheirosa. Acabou de tomar banho. Quer ver? Dá um carinho no titio Luis, Iuli, dá? _ aproximou a cachorra do rosto dele.

Dessa vez, eu não tinha vergonha de fazer força para não rir. Era tão ridículo que seria inevitável a qualquer um gargalhar daquela cena tosquíssima.

_Tenho uma novidade para você... _ ela disse com voz de suspense e querendo que ele adivinhasse.

_Ãnh... _ Luis juntou as folhas e verificou se nenhuma estava manchada com patas de chachorro.

_Vou trabalhar aqui. _anunciou.

_Trabalhar? _ ele repetiu.

_É, e aqui!

_Aqui, como assim aqui? _ ele cerrou os olhos.

_Como assim digo eu? _ ela riu, se agüentando para não chamá-lo de retardado. Se era filha do dono, poderia estar sentada à mesa de Luis se quisesse. _Passei na faculdade e quero estagiar aqui. Como eu adoro você, pensei em estar aqui pertinho... _ falou mais baixo.

Luis me olhou em pedido de socorro, eu sorri e abaixei a cabeça.

_Hum-hum. Então, o que o RH decidir...

_Não está feliz?!

_Estou, lógico!

Meu telefone tocou. Era um número não identificado. Atendi.

_Alô, Priscila? _ reconheci pela voz, era a minha secretária, Tamires, no antigo escritório. À propósito, a irmã de Felipe, paciente com quem Andy se envolvera.

_Oi. Como estão as coisas?

_Bem. Eu estou ligando porque consegui passar na faculdade.

Eu fiquei assustada com tanta coincidência. Era justamente sobre isso que Kelly estava falando com Luis. E se eu pudesse ter uma estagiária também?

_Só que não tem vaga para mim lá...Aí, me dispensaram. Te liguei porque pensei que talvez houvesse alguma onde está agora...

_Posso averiguar isso para você e te retorno.

_Jura? _ riu alto.

_Juro. _ ri também.

_Fico aguardando.

No departamento de Rh me disseram que Kelly poderia dar conta do trabalho de Luis e eu. Expliquei que preferia uma só para mim, uma vez que adiantaria o andamento dos processos com isso. Enfim, usei uma série de argumentos. Depois de uma hora de conversa, a mulher, que se chamava Joana, cedeu:

_Isso que dá trabalhar para advogados, vocês ganham sempre. _ sorriu. _ Pode chamá-la aqui.

_Obrigada, Joana. _ sorri.

_Mas!

_Ãnh.

_Ela terá que participar de um processo seletivo como qualquer outra e concorrer a vaga junto com a Kelly.

_Com a Kelly?! Ela é a filha... _ procurei falar mais baixo.

_Eu sei. _ arqueou as sobrancelhas e escreveu algumas coisas no papel, parece que ninguém ali gostava do nepotismo da filha do patrão.

_Eu pensei que pudéssemos ter duas estagiárias...

_Isso fica difícil, já lhe falei que não temos duas vagas provisionadas. Mas, podemos colocar as duas para fazer uma avaliação. Até porque... _ foi a vez da mulher abaixar a voz. _ Ela está diretamente ligada a linha hierárquica do pai, isso é contra as normas da empresa...

_Hum.

_Vamos ver. Eu te comunico.

_Ok. _ sai dali sem saber se podia ficar feliz ou triste. Só tinha a certeza que comprara uma grande briga!

Dois dias depois, Joana entrou na sala com uma pasta na mão. Olhou para mim e Luis e avisou:

_Chegou o resultado do processo seletivo.

_Que processo? _ ele perguntou.

_Não sabia? _ foi a vez de ela me olhar surpresa. Na nossa conversa eu acho que deixara transparecer que o desejo era meu e de Luis. _ Priscila pediu para fazermos um processo seletivo para estagiária. _ ela explicou.

_Não. Eu pedi para ter uma estagiária só para mim e como não tinha vaga, abriram um processo seletivo formal, no qual a Kelly e outras candidatas tiveram que participar, inclusive minha indicada. _expliquei melhor. Não queria que visse aquilo como qualquer tentativa de provocação.

_E assim foi feito. É, a garota era boa mesmo. _ ela olhou pra mim. _ Vamos chamá-la.

_Que bom! _ bati palmas, muito feliz. _ E a Kelly? _ perguntei.

_Seu pai entendeu que é norma da empresa não deixar ninguém diretamente ligado a ele. Assim, serve de exemplo. A Kellly vai trabalhar em outro departamento.

_Não acredito que ganhei essa guerra. _ falei surpresa.

_Nem eu. Então, quer dar a notícia?

_Claro! _ aceitei entusiasmada.

_Tchau para vocês. _ saiu.

Disquei o número da minha pupila e anunciei sua contratação como estagiária:

_Será que você ainda vai ter paciência para me aturar? _ brinquei.

_Não, não, jura, jura? _ intuiu incrédula o motivo da minha ligação.

_Sim, vamos tomar muitos café da manhã juntas. _ ri. _Entra em contato com o Rh que eles vão te explicar tudo.

_Claro, muito obrigada, muito obrigada mesmo!

Desliguei o celular me sentindo muito bem por ter feito aquela boa ação. Encostei o aparelho no queixo, ainda com um sorriso no rosto. Virei-me e dei de cara com Luis em pé, atrás de mim. Assustei-me.

_Você adora a sensação do perigo, né? Do desafio, da adrenalina. _ sorriu.

_Do que está falando? _ voltei para a minha mesa.

_Comprou briga com a filha do cara para ter o prazer de colocar...

_Não é nada disso. Só queria uma pessoa competente para trabalhar comigo e...

_Não competir com você?

_Como competir? Apesar de ela ser filha do dono, eu ainda sou a advogada...

_Não é disso que estava falando... _ foi sua vez de voltar para sua mesa. Pegou uma pasta, o celular e o paletó.

_Do que, então? _ franzi a testa.

Era a primeira conversa longa em dias de mútuo afastamento.

_Não precisa brigar tanto pelo que já é seu. _ piscou o olho e saiu.

Competir comigo? O que já é meu? Luis estava achando que eu fizera isso para Kelly não ter chance de dar em cima dele? Lógico que não! Que ridículo. Imagina se eu ia ter ciúme daquela fedelha?!

Sentei e fiquei apertando a tampa da caneta.

_Droga! Será que meu inconsciente foi movido por esse desejo?

Ótimo! Agora Luis estava se sentindo?! Arrrrhhh

“O que já é seu”...

13.2.09

Cap 27. Hora de partir (Priscila)

Quando Andy voltou das suas duas semanas de férias, como esperei, me ligou. Eu ansiava e temia por isso. Queria estar perto da minha amiga, mas essa vontade vinha carregada de sensações de culpa e tinha medo de não suportar isso. Marcamos de nos encontrarmos no café de sempre, próximo à praia.

Andy estava mais séria que o normal. Imaginei que me recebesse com abraços e risos, porém foi mais contida que isso. Ela pediu que eu fosse até seu carro que iríamos a outro lugar mais legal. Senti um frio na barriga.

Meu celular tocou e era Luis. Pediu para a gente se ver no almoço. Falei que não dava, que estava com Andy. Ele insistiu com voz grave e firme. Alguma coisa estava errada. Perguntou se ela estava normal comigo. Eu disse que sim, até agora nada tão excêntrico acontecera. Olhei para ela dirigindo em direção as pedras à beira mar. Por que íamos para lá se combinamos de beber alguma coisa juntas?! Lá não tem bares. O que Luis sabia sobre aquilo?! Eu não poderia perguntar ali, ao lado de Andy!

_Aconteceu algum problema no escritório? _ perguntei, torcendo para que percebesse que eu estava fingindo um diálogo com ele.

_Eu preciso te contar uma coisa. _ disse.

_Ãnh, fala.

_Depois, depois. Tchau. _ desligou.

Se eu já estava desconfiada da atitude de Andy, agora subindo em direção as pedras e com a ligação de Luis, ficava ainda mais apavorada.

_Por que estamos indo para lá? _ perguntei.

_Tem um pôr do sol lindo. _ sorriu.

Aquilo estava parecendo filme de terror de verdade. Ela estacionou bem próximo ao barranco que dá para o mar.

_Vamos ter que esperar, como o horário de verão ainda vai demorar para o sol se pôr. _ comentei.

_É, vai... _ ela se inclinou para trás e pegou o DVD que estava no banco de trás do carro. Era uma pequena tela, dessas que se coloca presa no encosto do banco para o passageiro de trás assistir filmes.

_O que isso? _ perguntei, já gelada.

_Eu levei para assistir na viagem e queria te mostrar. _ ela ligou o aparelho.

Eu não me mexia mais, estava petrificada, só minhas mãos suavam frio. De repente, se fez um chiado e a imagem das câmeras de segurança do prédio localizadas no portão de fora mostraram o carro de Marcelo. Em um dado momento, em que o veículo vira para entrar, ela parou a cena.

_Era você dentro do carro? _ me perguntou.

Não respondi, estava tudo ali, não precisava de depoimentos. Era eu, desfocada, em uma zona de sombra, atrás do vidro, mas quem me conhecia bem como ela reconheceria. Andy viajara já sabendo disso? Fora para longe para digerir a situação e superar?! Sozinha! Ali caiu sobre mim o peso total da culpa.

Luis me ligara para contar a tempo que dera o CD para ela. Tudo que fizera por mim fora apenas para me arruinar. Entregar o CD para Andy seria o golpe final. Como pude acreditar em se lado bom? Pior, ainda me envolver? Por que eu era uma mulher tão fácil assim? Por ser muito carente ou muito leviana? Luis tinha começado a gostar de mim e se arrependera do que já tinha feito?

Eu tinha muitos questionamentos, mas Andy com o vídeo na mão ainda esperava por uma resposta para a sua pergunta.

_Eu gostaria que não fosse. _ respondi.

_O que eu faço com você agora? _ ela me perguntou.

Me jogar do barranco com o carro? Aquela idéia mórbida me ocorreu.

_Nada vai diminuir a dor que está sentindo. _ disse-lhe. _ E não sabe o quanto lamento por isso.

_Eu queria que você morresse, só para saber que depois do que fez não estaria por aí desfrutando da vida. _ ela confessou com a voz fria. A viagem deve ter lhe arrancado todas as lágrimas.

_Eu também já quis isso. _ confessei.

_Enquanto eu esperava um carinho, um afeto daquele homem, ele vinha pra cá com você? _ levantou o aparelho de DVD e gritou comigo.

_Talvez você pense que o melhor dele tenha ficado comigo e essa seja sua maior raiva...

_Que bom que vê tudo claramente.

_... Mas não foi assim. _ corrigi. _ Quando começamos a sair, eu também pensava que seria. Estava carente, sozinha... Enfim, isso não justifica nada. Mas, encontrei o mesmo cara vazio e drogado.

_Pelo menos por essa parte não tive que passar. _ contou, recobrando o orgulho.

_E por ter visto a grande besteira que fiz, por ter encontrado um cara que já estava no fim, eu quis cair fora. Naquele dia, sai de lá e o deixei sozinho. Depois, tudo aconteceu.

_Como pode ter ficado do meu lado, sabendo de tudo?

_Nunca deixei de ser sua amiga. _ falei.

_Então, agora é a hora. Saia do carro.

Aquela ordem era a mais dura de se ouvir. Abri a porta e sai. Pisei no mato, o mar abaixo. Ela ainda me olhou.

_Isso não é tudo, eu ainda estou grávida. _ lhe falei, para não carregar mais nenhum segredo comigo.

_Você levou o meu marido, os meus bens, a minha alegria, mas o mal sempre estará com você. _ disse e partiu.

Olhei o mar na minha frente. Eu poderia me jogar dali, porém, não tinha vontade. Não conseguia nem me mexer. Estava sem forças. Fiquei ali até o pôr do sol, demorou, mas chegou, triste e laranja no horizonte.

Precisava partir a pé, antes que escurecesse. Comecei a caminhada pela beira do asfalto. Meia hora depois, estava próxima ao último posto da praia, onde havia um táxi parado. Nem sei como cheguei à casa de Luis. Ele já estava lá e sua família também, ao redor da mesa.

Olhei-o e não precisava demonstrar o meu desapontamento, ele era bem inteligente para saber que entre nós só haveria o mesmo sentimento de sempre.

 Skank - Ainda Gosto Dela


Sem dizer nada, subi as escadas. Ouvi seus passos atrás. Fechei a porta do quarto, mas ele abriu depois. Peguei a mala no canto e comecei a colocar dentro o que estava espalhado.

_Priscila, eu posso explicar.

_Eu não quero ouvir a sua voz! _ gritei. _ Tenha um pouco de pena e me poupe.

Fui até o banheiro e busquei minha escova de dente. Luis fechou a porta.

_Eu vou embora, dá licença? _ pedi.

_Não antes de me escutar.

_Eu não quero te ouvir! Eu não quero te ouvir! _ gritei.

_Priscila, quando soube que estava atrás das imagens, eu mesma fui até o segurança e comprei por um preço muito alto! Só que ele vendeu também para Andy uma cópia. É um ordinário. Eu queria te ajudar. Mas, hoje ele me ligou para dizer que vai divulgar para a imprensa também!

_Então, acha que me contando isso muda tudo?

_Eu tinha o CD, não tinha? Então, como não muda? Você sabia!

_Luis, eu descobri que o cara que achava que gostava era um idiota, ele morreu e deixou a herança para mim, a minha amiga perdeu tudo e agora me odeia, o mundo vai saber de tudo e eu vou ser considerada um verme. E ainda estou carregando um filho dessa história. Você pode sair da minha frente?! _ pedi, chorando.

_Priscila, não importa, não importa... _ me pegou pelos braços. _ Eu amo você. Não vê tudo que eu fiz?

_Eu quero sumir, por favor.

_Não faz isso, não vai.

_Por favor... _ pedi.

Ele me soltou e eu abri a porta. Do outro lado, seus pais apreensivos escutavam tudo, parados no meio do quarto.

_Desculpem. _ foi só o que pude dizer.

Peguei as malas para partir. Eles deviam estar satisfeitos do “mal” sair da sua casa.

12.2.09

Cap. 26 Vida incoerente. (Priscila)

_Nós já disputamos vários processos juntos. _ contei, apontando para Luis e eu. Ele sorriu em cumplicidade.

_Ah! Juntos?! _ sua mãe levantou as sobrancelhas com um pedido de que contássemos mais.

_Não, juntos não... _ consertei, antes que ela pensasse que éramos parceiros. _... Quero dizer, um contra o outro.

_Luis sempre gostou de desafios. _ orgulhou-se.

_Não sei quantos foram ao todo... _ lembrei vagamente.

_Doze. _ Luis falou.

_Veja só. _ sua mãe apontou para mim. _ Ele tem de cabeça.

_É porque eu ganhei 7. _ gabou-se em voz alta.

_Eu discordo, vou ter que refazer esses cálculos. _ interrompi-o, olhando agora tão perto seu rosto ao meu lado.

_E quando entra a parte em que vocês ficaram no mesmo time? _ seu pai perguntou, antes que nós dois começássemos com rivalidades.

Lembrei-me rapidamente das circunstâncias e senti um mal estar. Era como manchar aquele momento puro e familiar com erros sujos do meu passado.

_Priscila saiu do escritório onde estava e começou a trabalhar no meu. _ ele explicou, como se tudo se resumisse a questões de trabalho e eu mesma tivesse tomado essa atitude sozinha.

_Então, ela não é a filha do seu patrão? _ sua mãe franziu a testa.

Luis que havia caído em contradição percebeu que era hora de esclarecer aquele ponto:

_Não, mãe. Priscila é outra...

Outra. Ser a outra é estar no lado vilão de qualquer história. E eu parecia ter nascido para o papel de outra em tudo. Mas, aquela palavra dessa vez não tinha um mal sentido. Tudo ali era singelo e agradável. Não lembrava outro encontro aconchegante como aquele. A Família de Hugo, meu ex-marido, sempre me tratava como a oportunista, não importasse o quão graduada e elegante eu fosse. Sempre carregaria os estigmas que me colocaram. É difícil para as pessoas reconhecerem o crescimento e mudança. É sempre mais simples para elas criarem mitos e naturalizar os erros dos seus desafetos.

_Mas e aquela? _ quis saber, desapontada pela própria ingenuidade de ter entendido errado.

_Ahhh, aquela não importa mais... _ ele balançou a mão no ar em pouco caso.

Então, eu é que importava. A “outra” da vez. Como a figura central, fui muito bem tratada durante todo o jantar. Rimos muito e conheci várias histórias da vida de Luis. Mas, em um dado momento, sua mãe reparou que no meu dedo esquerdo havia uma marca de sol da aliança recém tirada. Seu olhar se encontrou com o meu. Eu fechei o sorriso. Luis e o pai travavam uma conversa animada e não se deram conta. Mas, a mulher não questionou nada. O sinal estava ali marcado na minha pele.

_Priscila? _ ouvi uma voz conhecida ao meu lado.

Era uma vizinha acompanhada pelo marido. Não adianta escapar, quando você tenta manter distância da sociedade, basta colocar o nariz que todos vêm ao seu encontro como se tivessem recebido convites com endereço e hora marcada.

Levantei-me para cumprimentá-los. Não apresentei-os aos pais de Luis. Pelo contrário, afastei-os para longe e expliquei que estava dando um tempo com Hugo. Pedi discrição, mas era inútil, estava entregando a notícia na boca dos lobos. Ao sentar de volta à mesa reparei nos olhares de ofensa por tê-los ignorado. Era hora de esclarecimentos.

_Tudo está sendo tão rápido... _ eu ri. _ ... Eu gostaria de falar em outro momento, mas, preciso contar uma coisa a vocês.

_Luis já nos contou. _ a mulher sentada à minha frente adiantou-se.

Olhei para ele. Certamente sua mãe perguntara sobre a aliança no momento em que me levantara.

_Ele contou tudo? _ perguntei.

_Contei que se separou e que estamos juntos. _ ele resumiu e deu sinal de que não falara do filho que eu esperava.

_Desculpem se chegaram e logo encontraram uma intrusa na casa de vocês, prometo que vou encontrar um lugar para mim. Foi tudo rápido, uma avalanche...

_Está tudo bem. _ ela aceitou, sem muito entusiasmo, mas com respeito e distância. Isso já era o suficiente.

_Mas, saibam que gosto do filho de vocês. _ ofereci a moeda de troca pela boa aceitação.

_Isso eu não tinha falado. _ Luis brincou para amenizar.

_Ele é mesmo o garoto inteligente e esforçado que sempre foi na faculdade, é o homem perspicaz e obstinado que conheci nos tribunais e um excelente amigo e cúmplice.

_Vou me candidatar. _ tirou sarro da minha declaração. _ Prometo pensar em um slogan de impacto. _ bebeu a sua bebida.

_Vamos pedir mais alguma coisa, então? _ o pai pegou o cardápio.

Eu já não estava com a mesma fome de antes, mas tentei olhar pelo lado bom, poderia ter sido muito pior. Não podemos exigir que as pessoas nos amem com tanta rapidez, é necessário tempo e conquista. Eles pelo menos não insistiram no assunto no resto da noite.

Na volta, seus pais estavam muito cansados e foram logo dormir. Sentei-me no sofá para retirar as sandálias alta. Procurei com os olhos Luis, mas só vi a luz do escritório acesa. Caminhei descalça até lá e parei na porta.

Ele falava ao telefone de costas:

_Cara, não vai virar um maconheiro convicto, hen? Vê se estuda, hen? Não adianta voltar com o passaporte carimbado e só ter feito sac... Ãnh... Ta pensando em ficar aí até quando mais? Quê?!

Ele parecia discutir com um rapaz mais novo. Levou mais uns minutos e desligou, quando viu que eu estava ali, sorriu e explicou que não é fácil ter irmão. Eu mostrei espanto, não sabia que tinha um. Luis explicou-me que é um primo que fora criado como irmão, pois os pais faleceram cedo.

_Nossa. _ levantei os olhos.

_Está nos EUA. _ disse.

_Parecia o pai falando com ele?

_Pareceu? _ fez careta.

_Hum-hum. _ sorri e abaixei a cabeça.

_Eu entendo o que ele passou. Somos irmãos por isso. _ mexeu em alguns papéis da mesa, fechou a pasta de trabalho.

_Como entende? Seus pais...

_Não são meus pais. Não como está pensando.

_Não? Nossas, você também tem muitos segredos.

Cássia Eller - Meu mundo ficaria completo (com você)


Luis deu a volta na mesa e parou na minha frente com as mãos no bolso.

_Eu sou adotado.

Levantei as sobrancelhas e abri a boca para dizer algo, mas não consegui. Então, isso explicava por que ele tanto me apoiava e não queria que eu interrompesse a gravidez...

Aproximei-me dele.

_Não precisa sentir pena. Eu tenho muito mais do que poderia merecer. _ falou.

_Não estou com pena! _ corrigi, vendo-o arredio.

_Eu estou surpresa, cada vez mais surpresa porque você não é nada do que pensei. Não sabe o quanto já te detestei...

Meus joelhos encostou nos seus, já que ele estava sentado na beira da mesa. Luis descruzou os braços.

_... Você era para mim alguém que me atrapalhava e, de repente, eu precisei de você mais que tudo ... _continuei. _ ... Tudo foi como uma avalanche... _ falei mais baixinho, olhando fixamente para sua boca. _... Ainda acho que tem algo errado... _ desviei os olhos para os seus e engoli em seco. _ ... Mas, nunca fui de perder tempo, pensando...

_Como agora? _ perguntou, desafiador.

_É. Mas, é que ainda olho para você e...

_Parece incoerente sentir que quer... _ levantou-se, ficando mais alto e mais intimidador, mesmo sem querer.

_Sim. _ dei um passo atrás.

Ele puxou-me pela cintura e me beijou. Levei minha mão a sua nuca e afaguei seu cabelo. Nos abraçamos mais forte, aquecendo um ao outro. O contato carinhoso era tão bom que senti uma grande paz. Quando afastamos nossos rostos eu disse-lhe que não queria que isso um dia virasse um erro também. Ele falou que nada que começa certa pode virar um erro.

Mas, é que na minha vida nada parece tão simples.